Que se tema que o cantar repetido de uma música a desvirtue, principalmente por não se saber a letra para além da primeira estrofe;
que mais ridículo pareça quando é, aparentemente, inconsequente, depois de já ter sido usada como senha para uma revolução definitiva;
que pertença a um imaginário para muitos obsoleto;
tudo isso, eu percebo.
Que um povo tenha esquecido um passado recente, que se tenha habituado a uma nova forma de vida;
que tenha surgido e crescido toda uma nova geração que agora não sabe o que exigir porque já não serão as mesmas coisas;
também vislumbro.
Que se tenha voltado a instalar o medo, que se enfraqueça a determinação, que se tema o pior e que cada um queira salvar-se, ainda assim, compreendo.
Mas que, sem saber bem como, a gente comece a entoar esse canto, a dar os braços e ganhar força;
a sentir-se poderosa pelas vozes em uníssono, ainda que ainda tímido;
que seja a música a conduzir um povo, pelo subconsciente, por uma memória colectiva, e a desviar a névoa densa, isso, comove-me.










