E como estive para ir ao lançamento do disco, e queria ir, e não fui, optei por não ir.
Como imagino um sem número de coisas para fazer, quando posso fazê-las, e opto pelo nada.
Ouço música no carro e em casa opto pelo silêncio (hoje é excepção!).
O silêncio, o silêncio. Como "melhor do que o silêncio só João".
Como corria e me esforçava por tudo e já não esforço, não acredito no esforço. Não nesse esforço, o que contraria a natureza, as naturezas.
O cansaço, o cansaço.
Como aprendi a dizer não.
Como aprendi a querer lealdade.
Como aprendi a exigir dormir.
E a exigir tempo para mim.
Como punha o amor à frente de tudo e já não ponho. E como logo se vê que não vale a pena quando te deixam sozinha na rua perto da uma da manhã porque não garantiste sexo (e corres para apanhar o último metro).
Os prazeres simples que prefiro. Como não fazer nada. Como ler um livro, como ficar comigo.
Como já dei para esse peditório. E o outro e o outro.
Como sempre me movi por paixões.
Como tenho um enorme sentido do dever.
E como aprendi o sentido de direito.
Como aprendi a precisar de tão pouco e a gostar.
E foram 21. 7 e 7 são 14, com mais sete, 21.
E como houve o bom e o mau e nada disto se explica.
E há quem nunca vá perceber e eu não quero saber.
Tudo isto seria outro texto não fora o cansaço e eu estar a viver o que estou a viver.
Hoje foi mais um dia de pegar em mim, arrancar-me do chão com violência e chocalhar.
Que isto é vergonhoso, é. Que ultrapassa em tudo o que é expectável, sim.
Propinas no Ensino Obrigatório?!
Taxas moderadoras na Educação?
Ultrapassa todos os limites da não-ficção... e da ficção também.
O que não deveria nem surpreender perante alguém que comete logo um erro crasso, do ponto de vista conceptual. A partir daí só pode estar tudo perdido.
"(...)um sistema de financiamento mais repartido entre o que pagam os cidadãos e a parte fiscal, que é paga pelo Estado.”
O Estado? E Quem é o Estado?
Acaso estará o Sr. Primeiro Ministro a sugerir, aos mais distraídos, que é o Governo que paga alguma coisa?
O Estado somos todos. Os contribuintes que pagam impostos e as suas contribuições para a Segurança Social, para que exista um Estado Social que garanta o acesso ao Ensino, à Saúde, etc., etc.. Portanto, o que o sr. Primeiro Ministro propõe é que os contribuintes que já pagam (o ensino não é "gratuito", é pago por todos, por nós, que somos o Estado) o ensino, paguem outra vez quando pretendem dele fazer uso.
Paguem a dobrar, como já está a acontecer na Saúde.
E mais flagrante ainda, neste caso, já que o ensino é obrigatório, é suposto ser utilizado por todos, servir todos, numa determinada fase da vida. De geração em geração.