11/04/12

É o que ando a dizer há que tempos...

Biologia e sociologia, biologia e sociologia!
Deixem lá a psicologia...


E mais, naquele livrinho de que estou sempre a falar...
Não se deixem atrapalhar pelo título (tampouco a sinopse está bem conseguida). A coisa é bem mais complexa do que isso, não me interessa discutir a monogamia mas antes o que as decobertas no ADN de certas aves que se julgava monogâmicas (e não eram) veio revelar. E então, sim: "O Mito da Monogamia explora as implicações destas dramáticas descobertas para os seres humanos, em termos de relações interpessoais, paternidade e maternidade, agressividade, e muito mais."

Paz à minha alma!

Vi ainda agorinha este post da Triss e decidi-me a comentar uma coisa que já andava para arriscar há algum tempo mas que de tão batida por essa blogosfera fora nos últimos anos (pelo menos nos blogues e sites que sigo relacionados com design ou afins) fui deixando de parte.

Há uns meses decidi experimentar o que há uns anos via, cada vez com mais insistência, nas minhas leituras cibernéticas: organizar os livros por cor.
- AAAaaaah! Heresia!! :D

Confesso que da primeira vez que vi a coisa sugerida achei que não deviam estar bons da cabeça!.. Tinha lá algum jeito? Procurar os livros devia ser uma epopeia!...
Com o passar do tempo a coisa começou a parecer fazer algum sentido e o lado puramente estético apelava-me.
Costumava ter os livros organizados por género, tema e autor. Mas cheguei à conclusão de que tenho uma boa memória visual de cada um e que a procura por cor não deveria ser um problema...

E, depois, o contra-senso! Organizar pela imagem a literatura? (Pior ainda para os puristas: misturar a literatura com a não-literatura, seja lá o que isso for, enteja lá onde estiver a linha que as separa...)

Só a ideia de imaginar criaturas horrorizadas, daquelas que julgam as pessoas pelos livros que lêem - pior, que correm a verificar-lhes as estantes quando lhes entram em casa - deu-me o impulso catalisador que faltava.

Assim, em duas horas mudei a estante (levei duas horas porque esvaziei a estante e a troquei de sítio, fiz umas experiências com alguns móveis para lá e para cá antes de voltar a por tudo no mesmo lugar...) e passei a ter dois grupos de livros (os meus em cima, os das miúdas em baixo) num dégradé delicioso.

Para as miúdas foi uma revolução e descobriram uma data de livros nunca antes lidos.
Para mim a coisa funciona na perfeição e relaxa-me de uma maneira inesperada: porque me descansa!
Limpou-me o campo de visão, acabou com o ruido (visual)!
É que, sabem, longe há-de estar o dia em que eu passe mais tempo à procura de livros do que a olhar para eles!




Imagens daqui, onde poderão encontrar outros argumentos em defesa da organização dos livros por cor.
A mim basta-me esse meu último.

Murphy Me

De volta aos dotes. Já cá falei nisso (aí e noutro post qualquer).
Em menos de 24 horas:
Miúda a vomitar na escola - vai buscar mais cedo, sai mais cedo do trabalho que ainda tens. Prepara dieta especial e faz comida para os outros (assim como assim já estava descongelada e tinha que ser cozinhada). Aspira, lava, trata, cuida, mima. Noite agitada. Levanta, deita, levanta. Tudo para a escola. Figas para que não haja mais ninguém doente por contágio (a outra miúda ou eu). Prepara-te para entrevista de trabalho. Cancelam entrevista. Adiam. À espera de saber para quando, entre hoje ainda e outro dia. Outro telefonema da escola. Joelho magoado em Ed. Física. Dói muito. Acciona o seguro escolar, chama o INEM. Vai fazer exames ao Hospital porque não consegue esticar. À espera de saber mais.
...

07/04/12

Com cerca de 2 minutos de intervalo

- Estamos aqui seis.
- E se o avô for embora quantos ficam?
- Cinco.
- Muito bem! E se a mãe e a mana forem embora quantos ficam?
- Três.
- Boa!!
E diz a mais velha:
- E se forem todos embora quantos ficam?
- Zero.
- Boa!!(!!)

E diz ela:
- E se o quarto for embora, quantos ficam?
- ...
- E se a casa for embora?
- ...
- E se o planeta for embora? E se o espaço for embora?
- (risos) O vazio!..
- E depois do espaço o que é que há?
- ...nada... o espaço não acaba... (digo eu não muito convencida...)

Tem 3 anos... talvez descubra!! :)

Parvoíce do Dia



Depois de me ter viciado na Maddie The Coonhound (love you! Respect!) já nada me surpreende.
:)

06/04/12

A ler.

Corre o FB e devia correr de mão em mão:




Texto de Isabel do Carmo.

"O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar "verdade", que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus. Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas. Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. Mas o vendedor prometeu-nos que... Não interessa.

Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os "remediados" só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia "mais tenrinho" para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse "a fénico". Não, não era a "alimentação mediterrânica", nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência.

Na terra onde nasci, os operários corticeiros, quando adoeciam ou deixavam de trabalhar vinham para a rua pedir esmola (como é que vão fazer agora os desempregados de "longa" duração, ou seja, ao fim de um ano e meio?). Nessa mesma terra deambulavam também pela rua os operários e operárias que o sempre branqueado Alfredo da Silva e seus descendentes punham na rua nos "balões" ("Olha, hoje houve um ' balão' na Cuf, coitados!"). Nesse país, os pobres espreitavam pelos portões da quinta dos Patiño e de outros, para ver "como é que elas iam vestidas".

Nesse país morriam muitos recém-nascidos e muitas mães durante o parto e após o parto. Mas havia a "obra das Mães" e fazia-se anualmente "o berço" nos liceus femininos onde se colocavam camisinhas, casaquinhos e demais enxoval, com laçarotes, tules e rendas e o mais premiado e os outros eram entregues a famílias pobres bem - comportadas (o que incluía, é óbvio, casamento pela Igreja).

Na terra onde nasci e vivi, o hospital estava entregue à Misericórdia. Nesse, como em todos os das Misericórdias, o provedor decidia em absoluto os desígnios do hospital. Era um senhor rural e arcaico, vestido de samarra, evidentemente não médico, que escolhia no catálogo os aparelhos de fisioterapia, contratava as religiosas e os médicos, atendia os pedidos dos administrativos ("Ó senhor provedor, preciso de comprar sapatos para o meu filho"). As pessoas iam à "Caixa", que dependia do regime de trabalho (ainda hoje quase 40 anos depois muitos pensam que é assim), iam aos hospitais e pagavam de acordo com o escalão. E tudo dependia da Assistência. O nome diz tudo. Andavam desdentadas, os abcessos dentários transformavam-se em grandes massas destinadas a operação e a serem focos de septicemia, as listas de cirurgia eram arbitrárias. As enfermarias dos hospitais estavam cheias de doentes com cirroses provocadas por muito vinho e pouca proteína. E generalizadamente o vinho era barato e uma "boa zurrapa".

E todos por todo o lado pediam "um jeitinho", "um empenhozinho", "um padrinho", "depois dou-lhe qualquer coisinha", "olhe que no Natal não me esqueço de si" e procuravam "conhecer lá alguém".

Na província, alguns, poucos, tinham acesso às primeiras letras (e últimas) através de regentes escolares, que elas próprias só tinham a quarta classe. Também na província não havia livrarias (abençoadas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian), nem teatro, nem cinema.

Aos meninos e meninas dos poucos liceus (aquilo é que eram elites!) era recomendado não se darem com os das escolas técnicas. E a uma rapariga do liceu caía muito mal namorar alguém dessa outra casta. Para tratar uma mulher havia um léxico hierárquico: você, ó; tiazinha; senhora (Maria); dona; senhora dona e... supremo desígnio - Madame.

Os funcionários públicos eram tratados depreciativamente por "mangas-de-alpaca" porque usavam duas meias mangas com elásticos no punho e no cotovelo a proteger as mangas do casaco.

Eu vivi nesse país e não gostei. E com tudo isto, só falei de pobreza, não falei de ditadura. É que uma casa bem com a outra. A pobreza generalizada e prolongada necessita de ditadura. Seja em África, seja na América Latina dos anos 60 e 70 do século XX, seja na China, seja na Birmânia, seja em Portugal."

04/04/12

Maioridade





Correndo o risco de estar a dizer grandes disparates e, ainda por cima, conhecendo uma série de gente envolvida neste e noutros filmes do Miguel Gomes, parece-me que o seu cinema se emancipou de uma forma inequívoca porque, para além das evidências (Tabu não deixa grandes margens para dúvidas) e contra aquilo que me tem sido dado a observar nos últimos anos (menos no cinema de M.G. do que no de outros, ainda considerados "novos autores"), independentemente de, ou apesar de, ser feito com amigos, não é feito para os amigos.

E há um risco muito maior em sair dessa zona de conforto onde enchemos as nossas obras, objectos artísticos, de referências que só os nossos amigos podem compreender na totalidade (porque assim como assim esses apoiar-nos-ão sempre, mesmo que os outros não nos ovacionem), reverências e vassalagem aos nossos heróis, e colocar uma obra à mercê de outros críticos conhecedores de códigos mais abrangentes que possam desvendar linguagens e, enfim, a comunicação no sentido mais lato.





Perguntavam-me há pouco se, para mim enquanto espectadora, faria sentido dividir o filme em duas partes distintas ou considerar o filme como um todo. O filme tem de facto duas partes, intimamente ligadas pela narração feita, no presente, dos acontecimentos do passado, por um dos intervenientes na acção, não perdendo no entanto a coerência e unidade.
A segunda parte será talvez a mais fácil (no sentido da empatia com o público). Eles são jovens e bonitos e há toda a envolvente exótica da paisagem e da paixão.
Mas a primeira parte é talvez a mais arriscada, a mais inédita e a mais dura. E a que dita o lado trágico e nostálgico, sem mais desfechos possíveis, para toda a situação deixada em aberto, retrospectivamente, pela segunda parte.





Não se trata de um filme com nostalgia dos tempos do colonialismo mas, antes, de um filme sobre a nostalgia daquilo que a vida não permite que aconteça (a meu ver, e nunca mais que isso). Um potencial amoroso que ficou por explorar, um caminho que não se seguiu, uma opção que não se tomou ou circunstâncias que ditaram destinos.





É, claro, também interessante observar o olhar de um autor na casa dos 40 sobre uma geração com mais algumas décadas de vida. Um olhar sobre outros pontos de vista, ainda que a temática, lá está, seja transversal a qualquer idade.

Gostei particularmente da Teresa Madruga, da Laura Soveral e do Henrique Espírito Santo.

E é de chamar a atenção para a fotografia e escolha musical.

O Miguel Gomes, esse, esteve lindamente e está de parabéns.
Ovação.


30/03/12

Entretanto

esta miúda aqui vai precisar de trabalho a partir de final de Abril.
Confesso que tenho uma coisa debaixo de olho mas não quero deixar de deixar aqui o meu CV actualizado porque pode dar-se o caso de algum leitor/a ter uma proposta tentadora para me fazer...

Para isso é só ir ali ao separador "CV", em cima à direita, e dar uma olhadela.
Nada que não tenha já acontecido... :)

Meanwhile,

só porque sim.

29/03/12

É aproveitar


Dois espectáculos num só, duas peças.
"O Guardião do Rio"+"O Medo que o General Não Tinha"


E...
A melhor companhia de teatro do país (na minha opinião) está a fazer cartazes à mão!..
Isto diz-vos alguma coisa?
Mesmo quem não tem noção de como se produz um espectáculo de teatro... os cartazes que costumam ver por aí são feitos em gráfica... percebem?
Estamos na era medieval, compreendeis?

Foda-se!..


Só mais uma coisinha: o Teatro Sá e Costa é no Porto. Organizem-se.